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O Amor que alimenta

O “Caldo do Amor” é distribuído todas às terças-feiras aos pacientes em tratamento oncológico

Todas às tardes ela estava lá. Com apenas 10 anos, a pequena Rose lia por horas a fio todos os tipos de livros, não importava o tema. Isso porque eram livros que seriam traduzidos para a linguagem em braile, do Instituto de Cegos, na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Até hoje, como seus 50 anos, Rose se emociona ao lembrar que muitos livros que fazem parte da biblioteca do Instituto foi ela quem ditou ainda quando criança.

Uma infância carente de tudo, como ela mesma descreve, fez com que Rose buscasse no trabalho voluntário uma forma de se alimentar não só de pão, mas também de amor, companheirismo, cuidado e esperança. Não podia ver um Centro Espírita distribuindo sopa que lá estava ela, picando, lavando e ajudando em todo o preparo. Era uma das primeiras a chegar e uma das últimas a ir embora. Rose já chegou a ajudar uma benzedeira a benzer, mesmo sem saber, tamanha a sua vontade em ajudar ao próximo. 

E Rose não viu o tempo passar. Já são 40 anos de trabalho voluntário em que ela se coloca à disposição de qualquer um que necessite de ajuda. E este cuidado com o próximo nasceu com ela, já que na sua família ninguém a incentivava para realizar estes trabalhos voluntários. E como nem sempre teve condições de ajudar financeiramente, Rose aprendeu que o mais importante em um trabalho voluntário é ajudar, não com o que se tem, mas com o que se pode fazer, e contar, é claro, com verdadeiros amigos, ou anjos, como ela gosta de falar.

Nas palavras da voluntária, a união, o amor e o crescimento pessoal são as maiores

Por Lílian Veronezi

recompensas desse tipo de trabalho. E com o objetivo de levar carinho e cuidado aos pacientes do Hospital Dr. Hélio Angotti, entidade de utilidade pública sem fins lucrativos e mantida pela Associação de Combate ao Câncer do Brasil Central (ACCBC), em Uberaba, Rose fundou há 12 anos, o “Caldo do Amor”. E desde então, ela e mais 15 voluntários distribuem o caldo todas às terças-feiras, sempre às 19h, aos pacientes em tratamento oncológico, familiares e aos que estão presentes no hospital.

Todo carinho, cuidado, responsabilidade e amor, que só uma mãe pode ter, ela

despende nesta responsabilidade que Deus colocou em suas mãos e que ela divide com os voluntários que a acompanha. E apesar da correria do dia-a-dia, cansaço e provações que Rose enfrenta, o trabalho voluntário, segundo ela, é capaz de acalmar sua alma, pois o carinho doado, também é recebido. E isso é motivo suficiente para que ela não pense em parar tão cedo.

"Se você

conseguir se

colocar no

lugar do

outro, você

vai conseguir

fazer uma mudança..."

Apesar de todas as adversidades e rejeições sofridas na infância, Rose nunca pensou em desistir

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