Onde os Anjos habitam
Todos estão lá pelo mesmo motivo, foram abandonados pelos seus donos
Quem se aproxima das Chácaras Bouganville, em Uberaba/MG, logo percebe o som da natureza, que se mistura e vai ganhando cada vez mais vida. Ao caminhar pela típica estrada de terra batida, que liga as ruas no conjunto de chácaras, o latido de centenas de cães não deixa passar despercebido que naquela região, está localizado um lugar especial.
Na Rua Francisco Garcês, os sons são mais intensos e os latidos se tornam reais. Isso, porque lá está o Abrigo dos Anjos. São 400 cães de diversas raças, portes, idades, saudáveis ou confinados por alguma doença grave. Ali, eles recebem os cuidados de um anjo, que tem nome, Alessandra Piagem.
Todos estão lá por um único motivo, eles não têm um tutor. Foram abandonados, deixados por alguma família, que os adotaram, mas depois desistiu de dar os devidos cuidados. Muitos já nasceram sem à proteção e cuidados de uma família, e que estavam perdidos pelas ruas da cidade. De acordo com o blog “MAPAA”, segundo a Organização Mundial da Saúde: No Brasil, estima-se que há cerca de 30 milhões de animais abandonados vivendo nas ruas. Um número que impressiona, mas que é, em tese, minimizado por ações como a de Alessandra.
A presença de Alessandra Amaro Dias Piagem, de 37 anos, mãe de cinco filhos, é marcante. Sempre com um cãozinho delicadamente disposto aos cuidados de seus braços, mostra com gestos o respeito que os animais merecem. Alessandra é a idealizadora do Abrigo dos Anjos e realiza diariamente seu sonho, que é o de resgatar,
Por Gabriel Castro
salvar vidas, prestar os cuidados necessários e dar uma segunda chance aos animais, para que possam viver longe das ruas.
O amor pelos animais começou quando sua cadelinha de estimação, carinhosamente chamada Pandora, desapareceu. Alessandra realizou uma busca incansável, por todos os cantos da cidade, e acabou percebendo, com o sumiço de sua cadela, que haviam outros animais perdidos e que precisavam de ajuda.Um, dois, três... Trinta... Cem. Assim, sucessivamente, o número de cães
resgatados só foi aumentando com o tempo, desde 2012, ano em que Alessandra começou a resgatar animais e levá-los para sua casa. Desde então, a cuidadora não arreda o pé de casa e está sempre em contato com os animais. Só consegui ficar longe deles quando precisou de fazer uma cirurgia. Para ela foram três dias que ela quer apagar da memória.